Cartão de crédito – o vilão do endividamento

Reproduzo post da Silvia Alembert do wikisite Dinheiro é Bom e Eu Gosto do Limão:

Novamente o cartão de crédito é o vilão do endividamento.

Sem nenhum planejamento financeiro, com o desemprego batendo à porta, com a tentação das propagandas incentivando compras a prazo (e longos prazos…), não dava para visualizar outro cenário, a não ser este descrito abaixo.

E de novo o ensinamento: “Se você não tem dinheiro para comprar à vista, você não pode comprar de jeito nenhum!”

Cartão de crédito é o maior vilão do endividamento

Marinella Castro – Estado de Minas

20.07.2009

Nos últimos cinco anos, o peso das compras parceladas engoliram o orçamento do consumidor, sendo responsável por quase 70% das contas em atraso. O cartão de crédito é o principal vilão do índice. De 2004 para cá, o dinheiro de plástico ganhou espaço, competindo com o cheque e o crediário. Mas a facilidade de fazer prestações, para adquirir desde eletrodomésticos até alimentos e serviços do salão de beleza, chegou com o descontrole das finanças. No período, o peso dessa forma de pagamento quase dobrou no comprometimento do orçamento doméstico, saltando de um percentual de 20% para 37%. Entre as dívidas do consumidor, o cartão passou da quinta colocação no ranking das contas em atraso para o primeiríssimo lugar, ultrapassando com folga até mesmo os atrasos com as contas de luz, que historicamente têm ocupado posição de destaque no pódio do desequilíbrio financeiro.
 

Juntas, as dívidas com os cartões de crédito, o chamado private label (cartão de lojas) e as prestações em geral respondem por mais de 67% das contas em atraso. Os dados comparativos estão no Índice de Confiança do Consumidor (ICC), medido em junho de 2004 e junho deste ano, pela Fundação Ipead/UFMG, em parceria com a Federação do Comércio de Minas Gerais (Fecomércio-MG).

Em junho de 2004, o cartão de crédito aparece entre as cinco maiores dívidas do brasileiro. Daí em diante o movimento é ascendente. Em 2006, a modalidade ganha duas posições, ocupando o terceiro lugar, e este ano dispara como líder absoluto. “O planejamento e a educação financeira não chegaram com a mesma velocidade que a ampliação do crédito, e é aí que está o risco”, comenta a coordenadora do Departamento de Economia da Fecomércio-MG, Silvânia Araújo. Segundo ela, o despreparo do brasileiro para administrar o crédito aparece em diversas faixas de renda, sendo pago com elevadas taxas de juros. “O crédito é importante, mas, se não é planejado, tem um lado perverso.”

A vendedora Ivani Dutra Ribeiro está a procura de um novo emprego. Enquanto isso, tenta equilibrar as finanças com o auxílio do crédito. Hoje, a vendedora tem um cartão comercial e um private label, mas o número de bandeiras em sua carteira já foi maior. Ela decidiu reduzir a quantidade exatamente para cortar gastos. “O cartão é muito bom pela facilidade de comprar com prazos. O risco é que a gente gasta um dinheiro que não tem. Já fiquei descontrolada algumas vezes e agora presto atenção.” Para pagar as contas em dia, a consumidora entrou em uma espécie de ciranda. “Saco dinheiro de um cartão para pagar o outro. Assim não atraso as contas”, explica.

A facilidade para comprar pagando com um dinheiro que muitas vezes não tem em caixa fez o número da inadimplência crescer. Apesar disso, os cartões de crédito ainda têm espaço a conquistar. “As altas taxas de juros compensam a inadimplência. Os últimos números do setor mostravam que cerca de dois terços da população economicamente ativa ainda não têm cartão de crédito”, comenta Miguel José de Oliveira, vice-presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac).

Entre as dívidas que mais pesam no orçamento doméstico, despesas básicas têm destaque. O aluguel perdeu espaço, entre 2004 e 2009, reduzindo seu peso no orçamento doméstico de 13% para 4%. O uso da água também está mais programado e o peso do item foi reduzido no período de 34% para 19%. Já a conta de luz continua pesando no endividamento das famílias. “Existe um espaço entre o atraso da conta e o corte do serviço, daí a liderança do item”, lembra Silvânia Araújo. Ela ressalta também o crescimento do consumo de eletrodomésticos nos últimos anos.

Câmara aprova educação financeira nas aulas de matemática

Leia no UOL Educação:
Agora vamos precisar ensinar aos professores para eles repassarem para a garotada. Muito boa iniciativa.
Cléber Miranda - Educação Financeira
Cléber Miranda – Educação Financeira

Deixe seu comentário.